Teste de QI
Na China dos anos 600 era comum as pessoas serem submetidas a testes diversos sobre obras literárias clássicas, ideogramas chineses, matemática, habilidades bélicas e legislação, para futuro enquadramento social. Os testes de QI têm origem mais antiga do que se imagina. Foi somente no século 19, porém, que surgiu a preocupação com uma metodologia de medição da inteligência.

Durante muitos anos se questionou a possibilidade de medir a capacidade cognitiva do ser humano de forma padronizada e aplicável a todas as pessoas. O quociente de inteligência é uma medida para essa capacidade, e tem por objetivo comparar as habilidades cognitivas de alguém em relação às habilidades de outras pessoas na mesma faixa etária.

Os testes de QI são importantes para nos ajudar a rastrear as diferenças que existem na inteligência de diversos grupos e de nações inteiras. Neste sentido, é importante que a aplicação destes testes seja feita de maneira transparente e que evite possíveis vieses ou uso indevido, a fim de que continuem sendo vistos como medidas úteis (Nisbett, Aronson, Blair, Dickens, Flynn, Halpern & Turkheimer, 2012).

Do início dos anos 1980 até os dias atuais, mudanças vem ocorrendo no desenvolvimento e na interpretação dos testes de QI, pois, importantes padrões inovadores no conceito da inteligência também têm sido modificados. O aparecimento de teorias neurológicas do processamento mental e a junção da teoria Gf-Gc da inteligência para se transformar no modelo CHC, o qual se tornou o mais atual e completo na compreensão das habilidades cognitivas, fez com que a popularidade dos testes de QI se ampliasse, além de estabelecer a formação de uma base sólida para que outros testes de QI fossem desenvolvidos (Kaufman, 2009).

Os autores da teoria CHC, Cattell-Horn e Carroll, iniciaram seus estudos partindo do mesmo ponto: a teoria do fator g de Spearman (1904) e, essa consistência, serviu de base para a maioria dos testes de QI contemporâneos e para a maneira como estes serão interpretados. Dessa forma, durante muito tempo, difundiu-se a ideia de que os testes de QI mensuravam apenas a capacidade do indivíduo de armazenar conhecimento sobre o mundo e sobre as operações aprendidas, as quais poderiam ser utilizadas na solução de problemas (Gc) (Nisbett et al., 2012). Porém, a nova geração de pesquisas expandiu tais conhecimentos e tornou possível compreender que os testes de QI contemporâneos podem possuir raízes antigas, porém, a forma como as habilidades que avaliam serão interpretadas tem sido modificada. À vista disso, a visão de que a inteligência se constitui de diversas habilidades gerais e específicas, organizadas hierarquicamente, como postulado na teoria CHC, se faz presente na forma como as avaliações feitas por este tipo de testes são compreendidas: considerando não mais apenas um tipo de capacidade, mas também uma gama de diversas outras habilidades presentes nos indivíduos (Kaufman, 2009; Lynch & Warner, 2012).

Referências
Kaufman, A. S. (2009). History, Part 2: At Long Last – Theory Meets Practice. In A. F. Kaufman (Org.). IQ testing 101. New York, NY: Springer Publising Company.

Lynch, S. A., & Warner, L. (2012). A New Theoretical Perspective of Cognitive Abilities. Childhood Education, 88(6), 347-353. doi: http://dx.doi.org/10.1080/00094056.2012.741472

Nisbett, R. E., Aronson, J., Blair, C., Dickens, W., Flynn, J., Halpern, D. F., & Turkheimer, E. (2012). Intelligence: New Findings and Theoretical Developments. American Psychologist, 01-31. doi: 10.1037/a0026699